ARTE DO ENCONTRO
Por Laura Escorel em 26/4/2011

O que prevalece na identidade visual do teatro e do cinema brasileiros, o sistema gráfico de “cabeças voadoras”, no qual a figura dos atores, e muitas vêzes apenas suas cabeças, aparecem recortadas sobre um fundo, não impera mais no universo da música.

Possivelmente porque os músicos e cantores já não contam tanto com a venda de CDs, as capas dos discos voltaram a ser campo fértil para a criação gráfica.

Esse menor compromisso com a venda permite ao designer uma liberdade criativa na qual a busca mais relevante é a expressão gráfica daquele som. O trabalho de Luiz Zerbini e Fernanda Villa-Lobos, com fotos de Caroline Bittencourt para “o micróbio do samba”, novo CD de Adriana Calcanhoto, é assim.

Como o samba de Adriana – sim, porque o samba nesse CD não é das antigas, da nova geração, de roda, terreiro ou avenida, é o samba da Adriana – o projeto de Zerbini e Villa-Lobos é um carnaval particular. Tão íntimo que por vêzes parece esparramado sobre os lençois.

Estão ali confetes e serpentinas, movimentos e misturas, círculos, muitos círculos. E cores que são quase vivas. Um tom acima e todo aquele grafismo pulava. Mas o tom é exato. O mesmo da música do CD, que é alegre sendo triste. Um verdadeiro encontro.

[ Imagem: Capa, bolacha e verso do encarte do disco "o micróbio do samba", Adriana Calcanhoto. Projeto gráfico: Luiz Zerbini e Fernanda Villa-Lobos. Fotos: Caroline Bittencourt. ]



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